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Chuva



Chovia, e por isso me convidou a entrar.
- Vamos esperar a chuva passar um pouco?
Eu disse sim, e entramos.
Eu me sentia em um sonho.
Lembro do cheiro de tudo, até mesmo das paredes,
do café que estava sendo feito,
da chuva e das flores roxas que rodeavam sua casa.
Do alto da varanda eu via um rio de águas escuras e verdes,
que lembravam seus olhos,
preferi guardar essa impressão pra mim.
Você disse que iria pegar algo para nos aquecermos,
e quando disse isso, eu me aqueci.
O cheiro chegou antes de você,
café. biscoitos.
Comemos, entre olhares de baixo pra cima.
Bebemos, entre olhares de lado.
Sorríamos, quase que inebriados, com a possibilidade da tarde.
Eu levantei, calada, fui até a varanda,
você me seguiu calado, e ficou a me observar observando a chuva.
Goteiras grossas se formavam,
eu sentia a madeira,
era um quadro bonito esse de agora.
Você sabia o quanto eu era sensível a essas impressões.
Você gostava disso.
Eu sorri, você sorriu de volta.
Me abraçou pelas costas, calado ainda,
foi sentindo meu corpo.
Meus cabelos não tinham secado ainda, da corrida do carro até a casa.
Você os bagunçava, sentia meu pescoço, meu colo, meus seios, minha cintura, minhas coxas,
tudo por cima do vestido fino.
Eu apertava as pernas, e me sentia molhar.
Minha pele suava, apesar do fino frio que fazia.
Você colava seu corpo todo a mim, me fazendo soltar ruídos antes mesmo de raciociná-los.
Gemidinhos que saiam desvairados.
Ali mesmo você me tocou, e me solta um:
- Caracas.
Eu suspiro e digo que é pra você.
A gente começa a se beijar, a se tocar, a se sentir, a se possuir ali mesmo, na varanda, sob respingos de chuva.
Você coloca minha calcinha de renda pro lado, e começa a me beijar.
Eu suspiro, eu aperto a madeira, eu me molho na água da chuva, eu não aguento, eu gozo.
Me abaixo, abro sua calça, te sinto, te engulo, você geme, pede pra eu não parar, pede pra eu te olhar, diz que é golpe baixo. Você não aguenta, você goza.
Quando eu penso que acabamos, você me arranca a calcinha, e me possui.
De costas, apoiada na madeira da varanda, chuva chovendo na cabeça, delirando, cheia de paixão, vendo flores, vendo o rio, somos lindos, somos maravilhosos.
Você vai me apertando, rasgando meu vestido, me dando tapinhas, me dando mordidinhas, me beijando as costas.
Eu vou a loucura, meu corpo já não responde aos meus pensamentos, ele cria vida própria, e rebola, e rebola.
Você vai acelerando, nossas respirações pesando, somos mais barulhentos que a chuva, você me pede pedidos irrepetíveis, que eu atendo a todos.
Vou ficando tonta, vou ficando fraca, meu corpo todo arrepia, meu corpo todo quente, meu corpo todo, seu.
A gente se esvai.
Você se abaixa e me abraça, vai passando a mão nos meus seios, no meu pescoço, na minha boca.
A gente fica assim, de olhos fechados alguns segundos, alucinados.
Você me levanta, estou fraca pra andar.
Me chama pra tomar um banho, me beija ao entrarmos em casa, e me diz:
- Foi maravilhoso.
Eu concordo com a cabeça, cansada demais pra falar.
- Suelen Vieira
Imagem: Leonid Afremov

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