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Furacões


A gente se agarra e cria furacões né,
é incrível essa força que temos,
de anular tudo,
anulamos pessoas ao redor,
anulamos histórias,
anulamos paredes,
e trazemos um universo pra cá,
uma confusão.
A gente se beija,
e quando não, giramos 360 graus
em volta de nós mesmos.
Não há lençol que nos aguente.
A força que temos,
cria um sexo inigualável,
e infelizmente,
insustentável.
A gente se consome demais,
a gente se devora,
se mastiga,
e se engole.
Impossível sobreviver a isso.
Somos maravilhosamente,
autodestrutivos.
Pessoas que se encontram,
se acham,
se encaixam,
e descobrem o dom,
de pintar um sexo gostoso,
o melhor deles, suponho.
Pessoas que se tocam,
e se vibram,
mexem com células,
estruturas,
e energias.
Força e fraqueza,
acerto e falha,
tudo ali, em par.
Assim como a natureza,
temos ritmo,
e o seguimos tão bem.
Se a natureza nasce,
floresce, frutifica,
e se renova em morte...
Nós também nascemos,
florescemos, frutificamos,
e nos matamos em renovação.
É tudo tão cru,
tão essencialmente
natural.
É tudo tão nu,
instintivamente
animal.
Somos esse furacão em nós,
o princípio e o fim,
de nós mesmos.
O céu e o inferno,
de nossas mentes.
Somos nosso bem,
e nosso mal também.
Somos nossa promessa,
e nossa maior mentira.
Somos o nascer de todas as cores,
e o morrer de todas elas.
Tudo preenchendo um todo.
Uma aquarela.
Nós somos tudo,
e ao mesmo tempo,
somos nada!

- Suelen Vieira

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