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Mostrando postagens de 2016
Tem dor que só precisa de um ouvido,
só precisa ser ouvida,
você vai aconselhar,
vai falar coisas que até tem sentido,
mas aquele que está em dor,
muitas vezes não irá te ouvir,
ele quer apenas sentir-se acolhido,
só quer sentir-se abraçado,
amado,
querido.
Ele não está no momento de querer analisar o que está se passando com ele,
não está no momento de entender a dor,
ele não quer entendê-la,
mas ele sabe que ela dói,
melhor do que ninguém, ele sabe!
Então abrace,
abrace bem forte,
passe seu amor,
sua fé,
passe toda energia boa,
num abraço bem apertado!
Suelen Vieira
Logo eu,
Que sempre fui de planejar cada passo
Tenho tido preguiça de planejar até o almoço

Logo eu,
Que sempre fui de sofrer antecipadamente
Tenho repetido com certa frequência,
as seguintes frases:
Amanhã penso nisso,
Amanhã me estresso com isso,
Amanhã sofro, se tiver que sofrer disso

Se isso é viver melhor
Ou protelar as decisões
Eu não sei ao certo
E também não vou pensar nisso agora..

Vou vivendo cada coisa no seu tempo,
pelo menos a maioria das coisas,
na maioria das vezes!

Suelen Vieira

Elis Regina - Ponta de areia/Fé cega, faca amolada/Maria, Maria - (Montr...

Menina Arco-íris

Pintou-se de preto e branco
Escondeu-se no cinza
Correu para as cores frias
Conteve seus passos
Cerceou seus movimentos
Questionou seus pensamentos
Sua sanidade
Suas vontades
Seus quereres
E até sua personalidade

Usou de todos os artifícios
Para esconder suas cores
Cores vivas
Cores quentes
Cores de um veraneio

Junto de suas cores
Escondeu emoções
Aceitou o inaceitável
Permitiu que por ela
Escolhessem
Do prato
Ao retrato
Do parto 
Ao fardo
Que carregou em silêncio

De tanto diminuir-se
Encolheu em si mesmo
Em sonhos
Propósitos
E divagações 
De tudo que poderia
De janeiro a janeiro
Permaneceu ali
Pequena, reclusa

Até que 
Num solstício de verão
Explodiu em cores
Pecou pela falta
Explodiu pelo excesso
De si, em si, por si, pra si!

Suelen Vieira

Escrita

Vou continuar escrevendo
Assim eternizo tudo
Escrevo sobre a dor
Mais tarde a releio
Aprendo
Apreendo Escrevo sobre o amor
Que penso que sinto
Mais tarde o descubro
E o vejo como é
E não era Escrevo sobre os fins
Sobre os começos
Sobres os meios
Sobre os durantes
Sobre as traições
Sobre os problemas
Sobre tudo
Sobre nada Escrevo você
Escrevo nós
Começo nós na escrita
Termino nós na escrita Relato os prazeres
O gosto da boca
Relato as dores
O gosto da lágrima
Relato nosso sexo
Relato nossa dança E torno tudo eterno
Eterno num poema
Num conto
Num verso Você pode me magoar
Me quebrar
Me machucar
Mas o sorriso que me deu
Tá guardado
Desenhado
Escrito por aí
Eterno por aí E por isso continuo escrevendo
E por isso insisto nisso
O escrito vira
O eterno brilho
Da mente sem lembranças
Sem memórias
Suelen Vieira

Tiras

Tira
Tira a calça
Tira o vestido
Tira a roupa
Tira a vergonha
Deita
Beija
Agarra
Arranha
Aperta
Puxa
Morde
Ama
Bota
Bota fogo nessa cama
Bota tudo
Bota fogo nesse quarto
Bota tudo
Se esvai em mim
Que eu me derreto em você
Vai por mim
Nessa noite cabem três
Bota
Bota calça
Bota vestido
Bota roupa
Bota vergonha
Deita
Beija
Abraça
Afaga
Carícia
Conversa
Mordisca
Ama

Suelen Vieira

O ser

A paz que me faz
A calma na alma
A luz que me traduz
A sina que me assassina
A guerra que me enterra
Guerra que me encerra
A ressalva que me salva
A jura que me cura
A tormenta que me alimenta
A vingança que me cansa
A prece que emudece
O silêncio no ócio
O grito no peito aflito
A luta que transmuta
O olhar que tira o ar
O desejo que arranca o pejo
Tua vinda que me finda
A volúpia que arrepia
O horror do que posso supor
O amor pelo o que posso  compor
A fé que me é
O que sou
E me faz
E me traz
E fará
E trará
Tratará 
Apagará

Suelen Vieira

Sobre tudo e sobre nada

É o fel
É o mel
É o céu
É o véu

É o feto
O afeto
É o mito
O aflito

É o fim
É o sim
É o não
E o pois não

É o pão
Que me negas
É a vida
Que me tiras

É vida?
E quem é que dita?
Concepção?
Ou não?

É o passado
Que condena
É o futuro
Obscuro

É o muro
Que constróis
É a destruição
Do orgulho

É a arma
Que mata
É a música
Que salva

É a droga
Que explora
A cultura
Que sutura

É o machismo
O sexismo
O passado
No presente
Pai ausente
Filho carente

É o tudo
É o nada
Todos os assuntos
De nenhuma alçada

Suelen Vieira

Bem no mal

Estou bem
Mas às vezes fecho os olhos
E sinto que algo em mim, chora
O fato de estar bem
Reforça a desconfiança que estou mal
Como estar bem
Num mundo tão mal
Tanta maldade e miséria
Tanta tristeza e ingratidão
Será que é possível estar realmente bem
Ou é só ilusão?
Uma faixa que nos cega
Falta de compaixão
Será que a bondade é tão forte
Que consegue nos deixar realmente bem
Nesse mundo que jaz no mal
Será que é falta de empatia?
Ou é, de fato, paz de espírito?
Quão resistente é isso?
Será que é possível ajudar em algo com isso?
Se não mudamos nada ao nosso redor
Nossa tranquilidade vale algo?
Ou se torna apenas frieza?
Ou nos tornamos, apenas imunes?

Suelen Vieira

Cores

Se eu abro os olhos
É tudo preto e branco
É tudo acizentado
Só violência
E dor
Só preconceito
Ego
E Egoísmo
Mas se eu os fecho
Ah eu vejo tudo em cores
Vejo montanhas
Que pintam um céu azul
Vejo um lindo horizonte
De esperança
E união
De fé
E caridade
Aqui,
Embaixo das minha pálpebras
Tudo é em cores
Cores fortes
E vivas
Cintilantes
E minhas

Suelen Vieira

Vem cá

Vem cá, E traz um pouco de calmaria Pra essa bagunça  Pra esse caos Vem com tua calma E desacelera os meus ponteiros Que insistem em correr
Sem porque Sem pra que  Sem direção
Sem razão Só correm Ansiosos por um amanhã  Que nem sabemos se virá Vem cá  Com tua calma quase fria Que aquece tudo em mim Tudo em nós Nessa cama Nesse quarto  Tudo inflama  Tudo em chamas  Vem cá,  Um pedido que sai num só gemido  Quase inaudível  Que só se faz presente Quando colo minha boca No teu ouvido E sussurro baixinho  "Vem cá"
Suelen Vieira

Segredar

Vou inspecionar você
Até descobrir
Cada segredo
Que sua alma guarda
Até descobrir
Cada mistério
Que te faz
Você

Suelen Vieira

Espetáculo

Se fazes da vida
Rascunho mal feito
A quem culparás
Senão a si mesmo?

Se não te colocas
Como protagonista
Da sua própria história
A quem culparás
Senão tuas escolhas?

Se não és autora
Do teus enredos
E roteiros
A quem culparás
Senão os teus medos?

Cria, recria
Artista, protagonista
Escreva a ti mesmo
Mas nunca assista

Seja aplaudida
Não seja aplauso
Não da tua vida
Quem decide a hora de fechar as cortinas
És tu!

(Suelen Vieira)

Ser

Eu não sou várias coisas que eu gostaria de ser
Mas sou várias coisas, que um dia quis
Sou o potencial do que me tornarei
E o espectro do que me tornou
Sou um passado
Um presente
E um futuro
Entrelaçados por possibilidades
Pecados
E pretensões
Sou um todo
Preenchido de sombra e luz
De ontem e hoje
De amanhã e depois
Sou o agora
E não posso ser mais que isso
Não hoje!

(Suelen Vieira)

Coexistindo

Penso, logo existo
E se penso demais?
Existo em demasia?
Penso tanto
Que hesito tanto
Hesito tanto quanto existo
E a cada hesitar
Deixo de ser
Quando deixo de ser
Não sou
Quando não sou
Não existo
Quando não existo
Não penso
Se não penso
Faço
Quando faço
Erro
Acerto
Arrependo-me
Vivo, enfim
E quando vivo
Existo
Existência na medida
Sobriedade
Sanidade
Linha tênue
Do pensar

(Suelen Vieira)

No trem

Ela à direita
Ele à esquerda
Ela olhando pro nada
A sua direita
Ele olhando pro nada
A sua esquerda
Até que no nada
Seus olhares se cruzaram
Diante do reflexo
Na janela do trem
Já não viam mais o nada
Agora se viam
E o nada nunca mais seria igual
Novamente
Pois que agora
No nada eles se tinham
E no se ter
Eles tinham tudo

(Suelen Vieira)

Cuide-se

A raiz dos meus problemas está em mim mesma...
Não nisso
Não naquilo
Nem ali
Nem acolá
Em mim
E só a mim
Cabe cuidar..

Suelen Vieira

Passamos

Acabou!

Se dormir, ali, deitada ao seu lado, foi fácil?
Não.
Lembro perfeitamente o pesadelo da noite, meu corpo inteiro em chamas.
Calor, pele derretendo, ossos virando pó, eu desaparecendo. Sumindo. Em dor. Pavor.

Amanheceu.
Ressentimento de café da manhã.
Medo de almoço.
Ida pra casa, silêncio absoluto.
Despedida.

Foi difícil me reerguer.
Afinal de contas virei pó naquela noite.
Mas cá estou, inteira.
Sofrendo de outras dores.
Sorrindo por outros motivos.
A mágoa quase não vira mais o estômago.
A lembrança praticamente não gela a alma.
Passou!
Passamos!

Suelen Vieira

Saudade

Sentindo a presença desse universo inteiro, que sua ausência deixou...

Sem eira nem beira

Sou linha
Sou lenha
Sou fogo
E fogueira

Sou gota
Sou mar
Sou ar
E poeira

Sou grão
Semente
A colheita
Inteira

Sou calma
Bagunça
Um colapso
À beira

Sou fim
E começo
Um penhasco
Ladeira

Sou minha
Sou tua
Se chega
E me cheira

Sou noite
Ou dia
Quem sabe
A maneira

Sou sã
Mantendo
Ou perdendo
A estribeira

Sou ordem
Sou erro
Castigo
Cegueira

Sou dor
Alívio
Sou erva
Cidreira

Sou um conto
Qualquer
Sem eira
E nem beira

(Suelen Vieira)

Caos

Ah eu adoro sexo Muito mesmo Nem sempre precisa ser carinhoso não Aliás  Pode ser quase sempre um caos Sexo caos Emoção caos
Mas eu odeio ir embora E por isso não me dou com sexo casual Não que eu não tenha tentado Tentei Provavelmente tentarei novamente E quebrarei a cara de novo Pois não gosto de tchau
Não gosto do velho ritual Levanta, se veste Mãos dadas pra sair do motel Beijinho na porta de casa Beijo, boa noite Mensagem: Cheguei Outro dia: Ontem foi animal
Eu gosto do abraço que vem depois Da dormida juntos Eu gosto de ser chamada dentre vários adjetivos De meu bem Gosto do beijo de boa noite E do beijo de bom dia
Beijo com gosto de café com leite Mesmo não gostando de café com leite Não me dou com casual Por não gostar do tchau Por não saber lidar com a vontade de bis Por querer minutos de olhos fechados E ele de travesseiro 
Eu considero esse carinho depois do sexo Parte do sexo Acho que por esse motivo me sinto tão incompleta Porque "ontem foi animal" não supre meu cochilo no seu peito Nem de perto!

(Su…

Ilumina-te a ti mesmo

Joga luz em tuas vergonhas
E lida com elas
Ilumina tuas fraquezas
E aprende com elas
Deixe as lágrimas que precisam cair
Rolarem
Tudo em você
Te faz você
E nada menos
A pior mentira que contas
É aquela de frente o espelho
Joga luz nos teus breus
Agora mesmo!

(Suelen Vieira)

Talvez

E se eu prometer que fico?
Que não te deixo sozinha
Que te esquento nas noites frias
Que te abraço quando chorares
Que sorrio contigo, quando sorrires

E se eu prometer te ligar?
No outro dia
E pra saber como foi seu dia
Pra te ouvir reclamar da correria
Ou se gabar de como conseguiu resolver aquele pepino

E se eu prometer cócegas?
Risadas
Cafés da manhã
Lanches da tarde
Noites viradas
Manhãs sonolentas

E se eu te prometer longos banhos?
Banheiros suados
Cheiro de shampoo
E se eu prometer massagem?
Nas costas e nos pés

E se eu te prometer dois filmes seguidos
E nenhum assistido
Séries fechadas
E discussão sobre livros

E se eu te disser que eu não vou embora?
Que estou louco pra descobrir cada linha sua
Louco pra descobrir cada detalhe seu quando sorri pra mim
Das aspas que ficam em volta do sorriso
Ao brilho que fica no olhar

Se eu falar tudo isso,
Você acredita?
Você fica tranquila?
Você fica segura?
Você fica?

(Suelen Vieira)
Imagem: Apollonia Saintclair

Ecos no silêncio

Vazio faz eco
Eco faz companhia
Eco, ecoa nós mesmos
Eco, é cópia de mim
Vazio que acompanha
É vazio ainda assim
Sozinho
Uma música
Acompanha a lágrima
Que escorre sem pedir
Eu, o eco de mim e a lágrima
E um solo de guitarra do Nirvana
Kurt também era sozinho
Kurdt não
Kurt se foi
Kurdt não
Meu vazio não é escuro
E ecoa pedaços de mim

(Suelen Vieira)

Juras

Juro ficar,
Se jurares também..
Juro ceder,
Se cederes também..
Juro me permitir ser protegida,
Meu anjo bom..
Se jurares proteger

De jura em jura,
Vou fazendo morada em você
Em baixo de suas asas
No seu pensamento
No seu coração

De promessa em promessa,
Tu vais fazendo morada em mim,
No calor do abraço
Na bagunça dos cabelos
No suor de nós dois

Fica anjo bom,
Que eu fico também!
Juro juradinho..
Com promessa de dedinho!

(Suelen Vieira)

REAL

Tão real como a briga do casal
Tão real quanto a estria da menina
Tão real quanto o carinha 'mó' boçal
Tão real quanto a masturbação feminina Tão real quanto o aborto na surdina
Quanto a morte dessas mina
Tão real quanto essa sina Sina de nascer mulher
Real que nem chacina
Sina de ser Estér
Sina Tão real, quanto espiritual
Tão real, quanto traição virtual
Tão real quanto heterossexual E homossexual
E bissexual
E transexual Tão real quanto o sexo sem consenso
A piada sem senso
O assédio intenso Tão real quanto pontual
O perigo de ser mulher
Nesse mundo atual
E também tão démodé Tão real quanto necessária
Essa luta diária
De desconstrução
Pra buscar evolução
E também revolução
Principalmente revolução Assunto sério
Assunto real
Assunto mulher
Tão sério que termina sem rima

(Suelen Vieira)

Shiii..

O silêncio é um som assustador
Tem mais notas do que a Nona Sinfonia
O que são os trompetes de Beethoven
Perto de um silêncio ensurdecedor
No silêncio meu corpo grita por socorro
O mesmo corpo que pede pelo toque
Ou repele seu contato, no silêncio
No silêncio a gente termina relações
No silêncio a gente começa paixões
O que calamos diz tão mais do que falamos
O que calamos diz tão mais do que queremos
É em silêncio que faço minhas preces
E é também em silêncio que falo alguns palavrões
O mesmo silêncio que esperneia minhas emoções
A gente mede palavras
Silêncios não
Esses saem desvairados por aí
Nos deixando rendidos
Àqueles que se atentam em os ouvir (Suelen Vieira)

Permita-se

Se tem uma coisa que eu faço bem, essa coisa é me permitir.. Eu me permito Permito-me chamar uma, duas, quiçá até três Permito-me querer, desejar, e até gostar Permito-me falar desse gostar Mesmo quando não deveria Permito-me sentir Mesmo com os riscos que correria Ou corro ainda Permito-me ir, ficar e voltar Permito-me ser quem sou, desse jeitinho mesmo Mesmo que você ria Ou sorria Ou fuja Com a maior maestria Só não me permito permanecer onde não me permitam Tá vendo só Sou super permissiva! SuelenVieira

Pudor

Eu ainda tenho pudor demais, sabe?
Se tem algo que é libertador, essa coisa é a escrita.
Mas eu ainda tenho pudores demais.
Vergonha, receios..
Falta coragem de explicitar certas emoções..
Aquelas que não contamos nem a nós mesmos..
E seguimos, escrevendo metáforas,
Contando meias histórias,
Fazendo de conta,
Mascarando nossas emoções,
Desejos, vontades.
Mas de tanto que isso nos faz quebrar a cara,
Creio que aprendemos,
Tanto na escrita, quanto na vida..
E aí que surge os textos rasgados de verdade,
As atitudes cheias de sinceridade,
Passamos a não só nos conhecer,
Mas a saber até aonde devemos,
Queremos, e podemos ir..
Mais uma vez,
Tanto na escrita, quanto na vida.


(Suelen Vieira)

Rasura

Quantas vezes já não me perdi
Perco-me em meio às palavras
Em meio aos rascunhos
Rasuras e cartas escritas
E também, nunca entregues

Perco-me em minhas escolhas
Desejos
Decisões
Projetos
Perco-me no tempo

Quantas portas erradas
Janelas saltadas
Paredes pintadas
E depois repintadas

A escolha errada
Nunca se parece errada
Quando escolha
Nem tampouco, a certa
Te convence de primeira

E essa é a dinâmica da vida
Erro
Acerto
Fins
Recomeços

O que importa no fim
É o agora
Viva o agora
No fim era erro?
Acaba
Pinta a parede
Segue adiante

Dói?
Viva a dor
Chore dias
À noite rias

Perder-se sempre
Pra se encontrar depois
Perder-se sempre
Pra se descobrir melhor
Perder-se sempre
E sempre

Suelen Vieira

Adjetivos

Eu sou o caos
Uma bagunça ambulante

Convidativa
Extrovertida
Reclusa
Reservada
Confiante
Desconfiada
Assanhada
Tímida
Desbocada
Rebuscada
Risonha
Chorosa
Brava
Apegada
Dada
Enciumada
Fácil
Complicada
Bêbada
Errada
Careta
Bolada
Mulher
Menina
Garota
Maluca
Carente
Fria
Quente
Ausente


Eu sou um caos
Só buscando ser desvendada
Pra que digam:
- Ela só está apaixonada!

Suelen Vieira Imagem: Sylvie Guillot

Rasura

Quantas vezes já não me perdi
Perco-me em meio às palavras
Em meio aos rascunhos
Rasuras e cartas escritas
E também, nunca entregues

Perco-me em minhas escolhas
Desejos
Decisões
Projetos
Perco-me no tempo

Quantas portas erradas
Janelas saltadas
Paredes pintadas
E depois repintadas

A escolha errada
Nunca se parece errada
Quando escolha
Nem tampouco, a certa
Te convence de primeira

E essa é a dinâmica da vida
Erro
Acerto
Fins
Recomeços

O que importa no fim
É o agora
Viva o agora
No fim era erro?
Acaba
Pinta a parede
Segue adiante

Dói?
Viva a dor
Chore dias
À noite rias

Perder-se sempre
Pra se encontrar depois
Perder-se sempre
Pra se descobrir melhor
Perder-se sempre
E sempre

Suelen Vieira

Uma gota

Por um momento me tornei gota
Passeei por ali
Descobri curvas dessa garota
Juntei-me às tuas lágrimas
Senti o salgado de cada uma delas
Chegarem ao doce dos lábios
Doces lábios
Salgadas lágrimas
Doces curvas
Salgadas dúvidas
Como gota me juntei ao teu suor
O suor do amor
Tornei-me amor
Percorri cada linha tua
E descobri o que nem sabes ainda
Que és linda, menina
Da cor dos olhos
Ao desgrenhado dos cabelos
Da cor da pele mais escura
Ao formato das curvas
Que no espelho
Teu olhar insiste em criticar
De cada uma das manchas
A finura da cintura
Do jeito que olhos sorriem
Ao jeito que eles choram
Percorri-te toda,
E me apaixonei
Como não poderia ser diferente
Se tivesses a oportunidade que tive
Também se apaixonaria, fique ciente
Descobri-te encantadora
Tentadora
Inspiradora
E os melhores 'ora' que a língua permite
Ora, ora
Descobri-te tu

Suelen Vieira

Nada

Essa loucura me atrai e me assusta
Afasta e me puxa
Esfola e abraça
Arrasa e enlaça
Essa loucura é bem louca
Até mesmo pra minha sensatez tão pouca
Acalma e agita
Me bate e depois acaricia
Me fala pra ir
Só não me pede pra voltar
Mas até agora voltei
Só pra ver no que dá
E só deu em loucura
Em fissura
Nada de ternura
Acho que me falta postura
Pra viver tamanha aventura
Sei lá
Talvez sejam só palavras combinadas
Que no fim nem combinam
Que no fim não vai dar em nada
Aliás, pode ser esse o nome dessa fábula
Nada
É, gostei
Boa noite, falhei..
Ou finalmente acertei..

Suelen Vieira

Imagem: Duarte Vitoria

Em chamas (+18)

Noite passada
Dissestes-me:
Tenho uma surpresa pra ti..
Colocou em mim uma venda, de cor roxa
Detalhes que só eu pra me atentar
Já vendada, coração acelerado
- Hoje você não verá, só sentirá!
Amarrou as minhas mãos a uma de minhas pernas..
Deitou-me
Tudo escuro pra mim, ali, diante de ti
Nua, molhada, entregue, vulnerável
Sensações, tremores, temores
Sinto sua boca, seus lábios, suas mãos
Seu toque a percorrer meu corpo
Presa, rebolo enlouquecida
Movimentos cerceados
Derreto-me nos seus lábios
Entrego-me ao prazer
Ondas de calor percorrem meu ser
Seus dedos, seus lábios, frenesi, paixão
Gozo, pela primeira vez na noite
Você se afasta
Não vejo nada, apenas sinto sua presença
Densa, quente
Por cima de mim
Colocando-se em minha boca
E tirando, e colocando novamente
Eu já louca, vontade de te engolir inteiro
De te sentir, sentir seu calor
Você se afasta novamente
Puxa-me pelos pés para a beirada da cama
Conduz-me a ficar de pé
Sinto-me ingênua, menina
Descobrindo novos territórios
Sinto-…

Relicário

Você tem um objeto valiosíssimo Uma pequena relíquia de estima emocional E a entrega a um terceiro, para que ele a guarde por você O objeto é tudo pra ti E apenas um objeto pro outro É o que fazemos, quando entregamos a responsabilidade pela nossa felicidade, na mão de alguém É o que fazemos, quando entregamos na mão do outro, a responsabilidade por nossas escolhas Estamos entregando nosso relicário, pra quem o considera apenas um objeto em desuso
E a culpa não é do outro  Zele você, pelo o que te tem valor!
Suelen Vieira

Sonho

Respirou fundo Flutuou Silêncio se estabeleceu em meio ao caos Leve Ouviu seu próprio coração Tum-Tum É só o que ele diz Nem vá Nem fique Apenas Tum-Tum Temeu, receou É muito alto daqui É muito silencioso aqui É muito escuro também É muito solitário, alguém? Tum-Tum-Tum-Tum Ouviu novamente seu coração Que agora gritava, lembrando uma ensandecida bateria Sentiu o sangue gelar pelo corpo Suava frio Abriu o olhos O teto do seu quarto, viu!

Suelen Vieira

8 ou 80

Eu e essa mania de 8 ou 80
Quando não sobra
Falta
Quando não santa
Diaba
Quando não transborda
Drena
Quando não derrama
Goteja
Quando não corre
Arrasta-se

Eu e essa mania de 8 ou 80
Quando não sofro
Magoo
Quando quero
Quero demais
Quando não
Não
Não mesmo

Eu e essa mania de 8 ou 80
Totalmente oito
Totalmente oitenta
E em nenhum deles
Permanência

Eu e essa mania de 8 ou 80
A falta de equilíbrio
De constãncia
Que cansa
Que pira
Desgasta
Desequilibra

Ah mania feia
E romantizada
De ser oito
Ou oitenta

Suelen Vieira Imagem: Apollonia Saintclair

Alvorecer

Olhe bem para o alto
E verás o infinito
De sonhos
Olhas para o alto
Contemple as belezas
A natureza é essência divina
E que divindade

Olha bem
Tens a cada amanhecer
As mais belas provas de ternura
É o sol que brilha
É a luz que te ilumina
É o calor que te abraça
Que te aquece
E conforta

Chega o entardecer
Pra nos mostrar
Da união
Do selo de amor

Dia e noite
Traçados no horizonte
Dia e noite
Como que dois apaixonados
A mistura
É a mais bela
São as cores
Da comunhão
Contemples o crepúsculo
E permita-se emocionar
Com essa maravilhosa
Manifestação

Chega a noite
Seus mistérios
A lua a iluminar
És tão bela
Com suas fases
Nos lembrando
Que a beleza é mutável

As estrelas
São pontinhos de luz
Que decoram
Esse imenso céu azul
São como pérolas
Em volta de uma bela saboneteira
São como pérolas
Que caem em ti
E fazem de ti
A princesa que és

E n'outro dia
Novamente
Alvorece
Pra nos lembrar que
A luz sempre brilhará
O dia sempre chegará
A lágrima sempre secará
A alegria sempre virá


Suelen Vieir…

Viagem

Virei poeira
E o vento me carregou
Nesse passeio
Quantas coisas me mostrou

Da cor do topo da montanha
Do cheiro do fundo do mar
Do toque do voo pelos céus
Do toque da areia ao caminhar

Virei poeira
E o vento me levou
Sem destino fui por aí
Contemplando mundos

Dos mundos que visitei
Reconheço nesse o pior
Assumo

Quando poeira
Descobri o peso da matéria
E já não quis mais voltar
O vento sábio que era
Olhou-me nos olhos e disse:
- Acorda, é chegada a hora de retornar Eu poeira, virei lama - Por favor vento, permita-me ficar - Vamos lá, os deveres estão a lhe esperar
E o vento implacável Foi me devolvendo Devolveu corpo Devolveu mente Pensamento Rotina Devolveu dúvida Missão Dever Devolveu obrigação
Já não sou mais poeira Já não sou mais só consciência Já não lembro o que é voar
Um dia vento querido Transforma-me outra vez Pra sempre dessa vez Em poeira nesse imenso cosmo Nesse dia serei só amor Nada de dor Só saudade Dessas Que sente quem não entende Que nada acaba Tudo se transmuta  Mu…

Lago

Lindo lago verde
Sua inconstância me convidando
Respondo teu chamado E em sua direção me permito dois passos A suave água toca-me os pés Até os tornozelos Sinto a brisa Que chacoalha-me os cabelos Mais dois passos E a água toca-me os joelhos Sinto-a com as mãos Que vai desenhando ondas Finas linhas na pacata água de cor verde Aumenta-me a sede Aumenta-me a vontade
O desejo de mergulhar De sentir o pacato lago me abraçar Dou mais dois passos cautelosos Toca-me a cintura E sinto o frio na barriga O arrepio na nuca A vontade vai se tornando medo E se eu me afogar? E se o pacato lago se agitar? E se ele me engolir? E se eu não conseguir submergir? A boca chega a secar A sede a aumentar Dou dois passos atrás O lindo lago verde se tornou assustador Intimidador São tantos E se Mais dois passos atrás Sinto a água escorrer pelo meu corpo Indo embora Esvaindo-se Junto com a coragem que me fez caminhar por essas águas Sento, contemplo e penso O lindo lago verde pode me engolir, mastigar-me, e m…

Intimidade

Quando Camões disse:
Que o amor é ferida que dói e não se sente
Ele poderia facilmente, estar falando dela
Bendita ou maldita intimidade

Te corrói sem que você sequer perceba
Sem que você sequer se dê conta
Ferida aberta por escolha
Ferida aberta aos poucos
Com a cautela de um psicopata

Conhecer e explorar curvas do corpo
Descobrir e memorizar as linhas de expressão
Decorar a posição das pintas espalhadas
Decorar a posição dos pontos de cada frase falada

Despir-se de novo
E de novo
E cada vez mais
E pro outro

Quanto mais tempo
Mais a intimidade inflama
Inflama pra além do prazer
Aumenta o prazer
Vira chama
Reclama espaço
E ganha
E cresce
E toma de conta de tudo

Intimidade
Ingenuidade
Se sentir seguro
Quando tão cara a cara
Com o abismo chamado
Vulnerabilidade



Suelen Vieira

Serena Voracidade

Por baixo da serenidade que te vendo
Há uma voracidade que me consome
Causa fome
E me engole
E sumo
E ressurgo
Serena
Voraz
Tudo aqui
Tudo nela

Face calma
Rugido na alma
Silêncio na boca
Barulho na mente
Tudo aqui
Tudo dela
Cinismo?
Segredo?
Mentira?
Mistério?

Muito dela, pra dividir por aí..
Muito meu, pra mostrar fácil assim


Suelen Vieira

Das reflexões que a carta do Gregório despertou em mim

Quem não pensou num antigo relacionamento, nessa segunda-feira não é mesmo?

Independente dos supostos motivos escusos para a escrita da carta, ela me fez pensar sim..

Nos sorrisos e histórias divididas, nas músicas compartilhadas, nos filmes favoritos que foram apresentados..

Eu tinha do meu lado uma pessoa que faltava tentar empurrar a lágrima de volta pra dentro do meu olho, não deixava nem chegar até o fim do meu rosto..

Tive tanta proteção desse homem, não me esqueço dos abraços, abraçar-me com o corpo todo pra me acalmar, e isso funcionar tão bem..

Tipo de abraço que conheci com ele..

Brincadeiras, risos, famílias, tantas coisas..

Não que bate a saudade e queremos continuar de onde paramos, isso seria impossível, lógico..

Mas bate a feliz sensação por ter vivido algo assim..

Lembro da dança, do fim de semana do fim, do fogo que senti  me consumindo, quando percebi que estava te perdendo..

Do medo do desconhecido, por perder esse chão conhecido.

Lembro também da leveza do começo,…

Johnny Hooker - Eu Vou Fazer Uma Macumba pra te Amarrar, Maldito! (Compl...

Nunca mais postei música aqui, então vai essa que não consigo parar de repetir!



Eu Vou Fazer Uma Macumba pra te Amarrar, Maldito!!!!!










Devaneio (+18)

Naquele momento
Já nua
Ele me despiu
De uma forma
Que ninguém
Nunca conseguiu

Antes do toque
Eu já era dele
Já estava entregue
A ele
Depois do beijo
Ato consumado
Sou tua

Quando me possuiu
Tive medo
Já não sou mais minha
Quando morrestes em mim
Algo aqui brotou
Nasceu

Devaneio, divagação
Seus dedos descobrindo linhas
Meus dedos escrevendo linhas

Anseio, sublimação
Meu corpo em chamas
Você com suas tramas

Leio, inspiração
Descubro-te
Encanto-me

Releio. oração
Vagueio em ti
Alheio a mim


(Suelen Vieira)
A imagem pode conter direitos autorais.

Pouso (+18)

Perca-se aqui
Encontre-se ali
Navega em mim
Faz-me
Teu pouso
Repouso

Pedir-te eu ouso
E ouso
Com ousadia
Fadiga-me
Fadiga-te

Perca-se em meio às curvas
Curvas do meu corpo
Do meu ser
Faça-me crer
Ser perfeita pra você
Até o entardecer
Pra depois amanhecer

Obedecer
Entorpecer
Vermelhecer
Esmorecer

Gemer
Emudecer
Enlouquecer
E amolecer

Pousa
Porque quer
Voa
Quando quiser
Volta
Se puder



(Suelen Vieira)
Imagem - Apollonia Saintclair



Vazio

Sinto uma amplidão em mim
Sinto um vazio em mim
Ouço um silêncio em mim
Um silêncio que grita ordens
Ordens pra mim


Faça
Seja
Vença
Ame
Odeie

Todo esse vazio
Tem me enchido
De cansaço
Tem me enchido
O saco

Sinto-me cheia
De um vazio
Que tem me preenchido
Inteira
Tem me consumido
Inteira

Perdi a energia que revigorava-me
Sinto-me perdida
Busco essa energia
Não encontro
Engano-me

Sinto saudade do futuro
Vontade de chegar lá
Sinto-me em apuro
Vontade de sei lá
Ergo um muro
Prestes a desabar


(Suelen Vieira)





Em paz

Paz repleta de guerra
De engano
Barulho De Mentira Entorpecimento Paz Que de paz Só tem o nome Paz sem paz Falsa paz
(Suelen Vieira)